Apresentação
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O desenvolvimento de políticas tende a ser complexo, e as evidências científicas são um dos fatores que podem influenciar esse processo (CAIRNEY, P.; OLIVER, 2017). A baixa colaboração e comunicação entre pesquisadores e formuladores de políticas representa uma importante barreira para melhorar o uso das evidências nas políticas de saúde.
Essa dificuldade, possivelmente, tem origem nas diferenças entre as atividades, interesses e posicionamentos de pesquisadores e tomadores de decisão (WORLD HEALTH ORGANIZATION,2016a). Numerosas iniciativas têm sido desenvolvidas para aumentar o uso das evidências nas políticas de saúde.
Uma destas iniciativas é a criação da Rede de Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Global, do inglês, Evidence-Informed Policy Network) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com objetivo de estimular o uso de evidências, de forma sistemática, transparente e institucionalizada, no sistema brasileiro de saúde para apoiar a tomada de decisão (PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION,2021). O Brasil faz parte dessa rede por meio da sua rede local, EVIPNet Brasil, composta por membros em toda a unidade da federação, como os núcleos de evidências e outras instituições apoiadoras das políticas informadas por evidências (BRASIL, 2022).
Uma das ferramentas para o apoiar a utilização das evidências é a Síntese de Evidências para informar políticas (ver glossário de A-Z). Este produto é elaborado pelo processo de integração de evidências científicas para apoiar a gestão de políticas de saúde, fornecendo aos atores sociais (ver glossário de A-Z) interessados as melhores evidências científicas disponíveis no âmbito global e local.
Esse tipo de estudo tem como propósito oferecer, num formato amigável a diferentes leitores, um elenco de opções para enfrentar problemas de saúde prioritários ao abordar benefícios, danos potenciais, incertezas, percepções/experiências de partes interessadas e custos. Além disso, inclui considerações de equidade, barreiras e facilitadores na implementação das opções propostas, apontando possíveis adaptações a serem realizadas nas perspectivas dos usuários, trabalhadores de saúde, organização dos serviços e sistema de saúde (BRASIL, 2020a). O diálogo deliberativo, uma estratégia que complementa esse processo, funciona como um mecanismo interativo de compartilhamento desses conhecimentos.




Você sabia que há uma diretriz metodológica específica sobre sínteses de Evidências para Políticas? Clique para acessar o documento.
Os diálogos deliberativos são instrumentos-chave de tradução do conhecimento (ver glossário A-Z) constituindo-se como uma estratégia importante para engajar os atores sociais, além da comunidade em que estão inseridos durante o planejamento, desenvolvimento e implementação de políticas e serviços. Assim, esses diálogos proporcionam a oportunidade de integrar as evidências de pesquisa sintetizadas com as percepções e o conhecimento tácito daqueles que estarão envolvidos ou serão afetados pelas decisões futuras relacionadas a uma questão prioritária (LAVIS,2009a).
O aumento no interesse pelo uso de diálogos deliberativos tem sido impulsionado por fatores como reconhecimento:
- da necessidade de “apoio à decisão” contextualizado localmente para formuladores de políticas e outros atores sociais;
- de que a evidência da pesquisa é apenas uma das fontes de informação que apoiam a tomada de decisão e os processos de formulação de políticas;
- de que atores sociais podem agregar valor significativo a esses processos; e
- de que muitos atores sociais podem e devem agir para abordar questões que lhes são prioritárias, e não apenas os formuladores de políticas (LAVIS,2009b).
Frente a este cenário, o Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE/MS), em parceria com o Hospital do Coração, construíram a Diretriz Metodológica: Diálogos Deliberativos, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
Esta Diretriz tem o propósito de apoiar tanto os pesquisadores que elaboram sínteses de evidências para informar políticas, quanto gestores de saúde na tomada de decisão, apresentando os principais conceitos e etapas necessárias para a condução de um Diálogo Deliberativo. Para sua construção, fontes internacionais e nacionais foram consultadas, como a abordagem desenvolvida por uma reconhecida colaboração global, denominada Ferramentas SUPPORT (do inglês, SUPporting POlicy relevant Reviews and Trials) e SURE (do inglês, Supporting the Use of Research Evidence), disponíveis online no Fórum de Saúde McMaster [adicionar como hyperlink em “Fórum de Saúde McMaster] e literatura. (The SURE, 2011; FERRAMENTAS SUPPORT, 2009).
Saiba mais sobre as ferramentas SUPPORT: você pode baixar em português o livro inteiro ou cada artigo, separadamente, que podem ser utilizados por todos os envolvidos na busca de evidências de pesquisa para sustentar a elaboração e implementação de políticas de saúde.
Acesse o link: https://www3.paho.org
A Diretriz apresenta também checklists para suas diversas etapas e atividades de monitoramento. Além disso, o documento interativo apresenta depoimentos com desafios e lições aprendidas de numerosos membros da Rede EVIPNet Brasil. Espera-se com esta Diretriz contribuir para que os processos de elaboração e condução de um diálogo deliberativo sejam sistematizados e transparentes para aqueles que pretendem organizar uma reunião dessa natureza, de modo a preparar um relato abrangente para os que irão ler e aplicar esses conhecimentos e experiências.
